“Fruto da Terra” – Cisne Negro Cia. de Dança em Ribeirão Preto


Mais de um minuto e meio de aplausos e interjeições, capazes de protestar elevada estima e distinta consideração aos bailarinos que neste momento reverenciam a platéia antes de sair do palco. Mil palavras não seriam capazes de ilustrar o quão impressionante é o espetáculo “Fruto da Terra” da Cisne Negro Cia. de Dança. Ribeirão Preto teve a chance de assistir a esse espetáculo na sexta-feira do vigésimo primeiro dia de agosto de 2010, às 21h no palco do Theatro Pedro II. Um espetáculo energético, viril, de grande qualidade técnica e artística.

A Cisne Negro Cia. de Dança é uma das melhores companhias contemporâneas do Brasil, buscando sempre nas suas produções inovação e beleza. A fundadora da companhia, Hulda Bittencourt, criou-a quando decidiu juntar alunas do Estúdio de Ballet Cisne Negro com atletas da Faculdade de Educação Física da USP. As apresentações da Cisne Negro Cia. já passaram pelas principais cidades do Brasil e também em diversos países como Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Uruguai, Argentina, Alemanha, África do Sul, Chile, Cuba e Moçambique. É a primeira vez que o espetáculo “Fruto da Terra” vem a Ribeirão Preto.

Grandes nomes fazem parte da Cisne Negro, como Vasco Wellencamp (Portugal), Gigi Caciuleanu, Patrick Delcroix (França), Mark Baldwin (Inglaterra), Ana Maria Mondini, Dany Bittencourt, Denise Namura, Tíndaro Silvano, Mário Nascimento e Rui Moreira (Brasil), Júlio Lopes e Luis Arrieta (Argentina), Michael Bugdahn (Alemanha), Victor Navarro (Espanha) e Itzik Galili (Israel).

A bailarina, coreógrafa e também responsável pelos ensaios, Dany Bittencourt revela que um de seus segredos didáticos é a liberdade que dá ao grupo. “Ser exigente demais pode acabar atrapalhando o desenvolvimento e o desempenho dos bailarinos. Com menos pressão, as performances acabam sendo mais verdadeiras.”

Para a abertura dos espetáculos da noite, “Fruto da Terra” (1999). Uma coreografia do israelense Itzik Galili, um dos mais conceituados coreógrafos da atualidade. Obra poética e singela, que tem por objetivo elucidar a vida no campo, a comunicação e o relacionamento entre grupos de trabalhadores, que mesmo em meio a tensões e conflitos há harmonia. Com impacto visual elevado, além de possuir recursos cênicos inovadores, a obra foi tratada pelo artista plástico Ascon Nijs. A Música é de Mercedes Sosa. Uma característica especial da coreografia é que ela só pode ser apresentada por bailarinos do gênero masculino ou feminino, no caso da apresentação no Pedro II, apenas garotas participaram.

Como segunda apresentação, “Reflexo no Espelho” (2004), de Patrick Delcroix. Permite ao público tirar conclusões de acordo com a experiência própria. A coreografia expressa o estranhamento que todos têm ao se verem refletidos no espelho. O reflexo é sempre o mesmo, porém o que se sente ao vê-lo depende de cada um. Criada especialmente com nove dos bailarinos da companhia, a ideia do espetáculo surgiu por meio de observações e sensações do artista. Como resultado, a coreografia transborda uma mistura envolvente de força e delicadeza.

A apresentação de gala se encerra com a coreografia de Dany Bittencourt. “Ferrolins” (2009), estreada inicialmente pelo Ballet Nacional do Chile. Dany disse ficou com receio dos Chilenos não conseguirem pegar a coreografia, por causa da presença de danças típicas brasileiras nela, como samba, frevo e maracatu. Felizmente eles superaram as expectativas.

“Ferrolins” procura retratar ao máximo a cultura brasileira, que pode ser percebida pela miscelania de cores vivas, movimentos mais soltos e swingados, o sorriso que só o povo brasileiro possui e a miscigenação de nossa nação. Um aspecto todo especial da Cisne Negro Cia. de Dança é destacado nesta coreografia; os bailarinos não são de um tamanho padrão, possuem distintas cores de pele, cabelos diferentes, entre outros aspectos físicos que “definem” o brasileiro. Baseada nas variações sobre Forrolins, escritas pelo músico brasileiro André Mehmari. Obra musical integrante do CD gravado pela OSESP – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e Banda Mantiqueira, sob a regência do maestro John Neschling (cd gravado ao vivo). Nesta coreografia é utilizada outra faixa desse CD: Arias das Bachianas Brasileira nº 4, de Heitor Villa-Lobos, com arranjo de Nelson Ayres.

O espetáculo como um todo é como uma galeria de artes repleta de pinturas. Normalmente o significado equivalente ao entendimento do autor sobre a sua obra de arte não será alcançado por qualquer pessoa, mesmo que haja explicações prévias. A professora e coreógrafa de balé clássico Meire Teixeira afirma que isto é uma particularidade do contemporâneo. “Não se deve tentar entender a coreografia e sim senti-la, em razão de cada pessoa perceber a apresentação de uma forma pessoal e distinta.”

Ribeirão Preto pode ser considerada um aglomerado cultural em dança, visto que o Festival Dança Ribeirão contou com 2.800 bailarinos de cinco estados de nosso país. E este núcleo está em ascensão. Com a vinda do espetáculo “Fruto da Terra” da Cisne Negro Cia. de Dança fortalece esse aglomerado e ajuda a plantar novas influências em dança na população ribeirãopretana. É uma semente para que no futuro desenvolva o fruto da nossa terra. Abaixo estão algumas fotos de minha autoria, durante a marcação de palco da coreografia “Reflexo no Espelho”, uma hora antes do espetáculo.

by W.Zana

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